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Waldomiro de Deus entre nós
Nonato Coelho (Artista plástico)


Eu, não canso de dizer que é um privilegio para Goiás ter em nosso amalgama cultural a presença de Waldomiro de Deus, eu acompanho sua iconografia incomum antes de conhecer o homem Waldomiro no inicio da década de oitenta, conheci o mito, sua lenda antes de conhecer a realidade do antropo, que com seu solido caráter, seu carisma e altruísmo aliado ao talento corroboram uma das mais brilhantes, autentica e criativa expressão da arte Brasileira.

Goiás ainda não despertou para a importância da obra deste grande demiurgo que foi chamado por Onley Kruse de Gênio e que o grande físico Brasileiro Mario Schemberg o considerava o maior desenhista Brasileiro - e aqui abro um parêntese para analizar-mos estas palavras de Schemberg que talvez possa soar hiperbólico para alguns que ainda não conhece a obra pictórica de Waldomiro, porem ao conhecer de perto o trabalho prolífico do  artista identificamos de imediato que seu subjetivo essencialista e  simplificado comunica em linhas e cores bem definidas e esta essência pode ser  claramente assimilada ou decodificada por qualquer casta social como nenhum  outro artista brasileiro consegue -, o espírito criativo de Waldomiro capta a  realidade da vida sem intelectualismo ou sofisma, - tão em moda nestes tempos  neo-dadaístas e post duchamps- e imbuído de uma força transformadora pinta a vida como ela é em seu cotidiano e seu mistério, com inteligência invulgar ele capta o espírito do tempo transcendente na sua efemeridade, para ele o que pintar não importa, pinta tudo que seus olhos vêem e lhe emociona, sem preconceito, nasceu para pintar, e um guerreiro, sorridente e as vezes ate debochado, atento a um país que ainda não ajustou contas com suas diversidades de cores e visões, e seu simbolismo é melhor assimilado com um olhar isento de olhares apressados ou reacionários impacientes.

O mundo visionário do artista flerta com alguns ismos na sua essência sem que o mesmo busque deliberadamente  este contato com a historiografia iconográfica, e este subjetivismo popular transcende simples rótulos ou conceitos outsiders para expor uma composição  elaborada e de refinado gosto estético, Waldomiro e um homem cultivado,  lapidado pela sua vivencia européia e sua intensa vida paulistana, o cantor e  compositor Gerado Vandré compôs e gravou uma musica para ele chamada “Waldomiro das estrelas”- ele nunca me disse isto, encontrei o raro disco em um sebo -, o artista e um dedicado pai de família, indulgente e caridoso para com jovens talentos da arte, ardente religioso dono de uma oratória mística teosófica poderosa e contagiante... Eu sou um admirador da obra e do homem e segui alguns de seus passos investigando parte de seus caminhos pela Europa e Israel; em paris a histórico marchand e curadora da exposição “opinião 65” Ceres franco me relatou com brilho nos olhos sua admiração pelo artista; na Itália o renomado critico de arte e jornalista Bolonhês Lino Cavallari me falou com orgulho das peripécias do Brasileiro por aquelas plagas, e mostrou emocionado um desenho que o artista fez para seu filho Alessandro quando ainda era criancinha de colo na década de setenta com a dedicação em italiano”per Alessandro, Lo piú  Bello Bambino Del Mondo”; em Israel o diretor do centro cultural Brasil-Israel de tel-aviv Dr. Marcos Wasserman mostrou-me quadros á óleo e desenhos de Waldomiro de Deus que ele coleciona e cuida como um tesouro, fruto da peregrinação do artista pela terra santa.

Alguns livros dos mais importantes editados na Europa assinados por intelectuais com: Louis Powels, Selden Rodman, Max Fourny, Anatole Jakovsky, Helene Renard e H. Wiesner, sobre arte NAIF, relata a obra deste Brasileiro com grande atenção. E por aqui no Brasil grandes personalidades como Enock Sacramento, Aracy Amaral, Jorge Amado, Orlando Villas Boas dentre tantos outros intelectuais destacaram a obra de Waldomiro de Deus. Na arte popular brasileira acredito que os fenômenos verdadeiramente universais pode se contar com pouquíssimos nomes excepcionais como o apaixonado Jose Antonio da Silva, o luso-brasileiro Antonio Poteiro, a catarinense Eli Heil e de Waldomiro de Deus, todos estes, predestinados a escrever um capitulo brilhante na historia da arte brasileira . 


 

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